A substituição do SUSFácil pelo CORE Saúde MG voltou ao centro do debate da saúde pública mineira durante a reunião do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Minas Gerais (COSEMS-MG), realizada em Belo Horizonte. No encontro, a vereadora de São João del-Rei, Sinara Campos (PV), cobrou providências do Governo de Minas diante dos relatos de atrasos na regulação de pacientes e defendeu que a modernização do sistema não pode ocorrer às custas da população que depende do SUS. “Na saúde, cada minuto faz diferença”, afirmou. 

Ex-secretária municipal de Saúde de Barbacena e atual vereadora de São João del-Rei, Sinara acompanha o debate desde o anúncio da mudança no sistema estadual de regulação. Segundo ela, a discussão nunca foi sobre impedir a modernização do SUSFácil, mas garantir que a transição ocorresse de forma planejada, sem comprometer o atendimento aos pacientes. 

“Não dá para brincar com a vida do povo. Ninguém é contra a modernização do sistema. O SUSFácil precisava evoluir, mas isso deveria acontecer com planejamento, diálogo e segurança para quem depende da saúde pública”, afirmou.

Implementado pela Secretaria de Estado de Saúde em maio deste ano, o CORE Saúde MG foi apresentado como uma ferramenta para modernizar a regulação estadual, integrando informações clínicas, ampliando a rastreabilidade dos processos e tornando mais eficiente a gestão de leitos e transferências hospitalares. Entretanto, desde o início da implantação, gestores municipais e entidades representativas passaram a relatar dificuldades operacionais, atrasos na regulação e impactos no fluxo assistencial. As preocupações motivaram audiências públicas e pedidos de esclarecimento na Assembleia Legislativa de Minas Gerais e em câmaras municipais.

Casos que dão rosto às estatísticas

Durante sua fala, Sinara apresentou casos concretos acompanhados pelos municípios da região. 

Entre os exemplos mencionados estão o da recém-nascida Luísa de Souza Reis, prematura de 29 semanas que aguardava transferência havia mais de um mês; o paciente transplantado José Daniel, que enfrentou sucessivos atrasos na regulação; e Adriana, mãe de oito filhos, que permanecia há mais de 30 dias aguardando uma vaga.

A defesa apresentada por Sinara durante a reunião não surgiu apenas após a implantação do novo sistema. Segundo a vereadora, desde que o Governo de Minas anunciou a substituição do SUSFácil pelo CORE e a centralização da regulação em Belo Horizonte, ela passou a dialogar com os municípios que seriam diretamente impactados pela mudança. Para isso, percorreu quase todas as 51 cidades atendidas pela Central de Regulação da região, reunindo-se com vereadores, secretários municipais de Saúde e gestores para compreender os desafios locais e construir uma atuação conjunta antes que os problemas se agravassem. Esse trabalho de articulação regional fundamentou os exemplos apresentados por Sinara durante a reunião do COSEMS-MG, quando citou pacientes que aguardavam transferência e ilustravam os impactos da transição para o novo sistema.  

Para a vereadora, esses casos evidenciam que os problemas ultrapassam questões técnicas.

“Eu acompanho diariamente o drama dessas famílias. Estamos falando de pessoas que aguardam por atendimento enquanto o sistema enfrenta dificuldades. São vidas que não podem esperar.”

Defesa da região

Representando os municípios do Campo das Vertentes e da macrorregião Centro-Sul, Sinara afirmou que os secretários municipais de saúde convivem diariamente com a pressão causada pelo aumento do tempo de espera para transferências. Segundo ela, municípios que antes apresentavam fluxos mais organizados passaram a enfrentar dificuldades após a mudança no modelo estadual.

“Nós avisamos que fazer essa transição de forma acelerada poderia trazer problemas. Modernizar é necessário, mas precisa haver construção coletiva, escuta dos municípios e planejamento.”

A vereadora também destacou que a inauguração de novos equipamentos públicos de saúde, como a futura Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Barbacena, exige um sistema estadual de regulação capaz de responder com agilidade às demandas regionais.

Debate que ultrapassa uma região

Os questionamentos apresentados por Sinara não são isolados. Desde a implantação do CORE Saúde MG, gestores municipais, entidades representativas e parlamentares de diferentes regiões têm manifestado preocupação com o funcionamento do novo sistema de regulação. 

Ao mesmo tempo, a Secretaria de Estado de Saúde sustenta que o novo sistema foi criado para substituir uma tecnologia considerada defasada, oferecendo maior integração entre municípios, hospitais e Estado, além de ampliar a qualidade das informações utilizadas na regulação. A pasta também iniciou novas capacitações para profissionais de saúde e gestores municipais com o objetivo de aperfeiçoar a utilização da plataforma.

A saúde não pode esperar 

Ao encerrar sua participação, Sinara defendeu maior mobilização institucional para acompanhar os impactos da implantação do sistema.

“Estou disposta a ajudar a construir soluções. Mas o Estado precisa agir com a urgência que a vida das pessoas exige. A saúde pública não pode esperar.”

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